sábado, 3 de abril de 2010

A arte grotesca e visceral de Joel-Peter Witkin


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Por Nemo Nox
Joel-Peter Witkin ficou conhecido por seu trabalho fotográfico marcante, misturando corpos defeituosos com símbolos sado-masoquistas, pedaços de cadáveres com ícones religiosos, tudo completado por um acabamento artesanal que transforma cada foto em peça única.
Witkin começou a fotografar aos dezessete anos, quando resolveu fazer o retrato de um rabino que afirmava ter visto e conversado com Deus. Depois do rabino visionário, foi fotografar um hermafrodita num circo de horrores de Coney Island. A fascinação foi tanta que ali ocorreu também sua primeira experiência sexual, que, evidentemente, deixaria marcas na sua obra.
Aos seis anos de idade, Joel-Peter voltava da missa com sua mãe e seu irmão gêmeo. Subitamente, um acidente de trânsito degola uma menina que por ali passava, e a cabeça vem rolando até os seus pés. Se não o segurassem a tempo, a sua curiosidade infantil teria feito com que pegasse e examinasse a cabeça sem corpo. Segundo o próprio Joel-Peter, “aquela primeira experiência visual deixou marcas. Suas ramificações atingem o meu trabalho fotográfico quando utilizo cabeças cortadas e máscaras, assim como na minha preocupação com a dor, violência e a morte”.
As referências aos clássicos da pintura estão sempre presentes nas fotos de Witkin. Ele estudou a fundo a arte religiosa, com ênfase em Giotto, e também simbolista como Gustav Klimt e Alfred Kubin. Quando chegou a época de se alistar no exército, Witkin recebeu a missão de documentar fotograficamente as mortes ocidentais ocorridas em treinamentos militares. “Cheguei a endurecer-me de tal forma em relação a morte que me alistei como fotógrafo no Vietnã. Depois de receber treinamento especial, enquanto esperava ser chamado para o front, tentei suicidar-me.”
Afastado do exército, voltou à fotografia artística, formando-se Master of Arts pela Universidade do Novo México em 1976. Quando fez sua primeira exposição individual em 1980, em Nova York, transformou-se imediatamente em foco de atenção. Por um lado recebeu elogios extremados pela profundidade temática de sua obra, calcada nos temas de dor e morte e escorada por referências clássicas. Por outro foi atacado como sensacionalista, despudorado, blasfemo e outros adjetivos menos respeitáveis.
O trabalho de Witkin é detalhista. Cada foto começa como um esboço rabiscado no papel, passa por uma difícil etapa de produção, quando os modelos e os objetos de cena são procurados, entra por uma meticulosa sessão no estúdio, e passa muitas horas no laboratório de pós-produção, com manipulação direta sobre o negativo, propositadamente maltratado com agentes químicos e ação física.





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